Num jogo ruim, chato, previsível, sem variações e sem capacidade de furar a retranca e o antijogo do Democrata, que abusou de simular lesões e parar o jogo, o Cruzeiro, por fim, acabou premiado com um gol nos últimos lances. Um ótimo cruzamento de Eduardo Brock achou a cabeça do artilheiro Edu, explodindo a torcida presente. Os 12311 torcedores vibraram muito, quase que ressoando todo o ódio causado pela postura do Democrata em campo. Uma vergonha e um acinte ao esporte e a quem pagou ingresso.
O mais inacreditável é ver membro da comissão técnica do time de Valadares falar que o "Cruzeiro ganhou roubado, porque não ganha no campo". Quanta cara de pau! Num determinado momento do segundo tempo, o jogo ficou parado por quase 10 minutos, entre lesões, reclamações, substituições. Se considerar toda etapa final, a partida ficou paralisada mais de 25 minutos. E pasmem: o Democrata reclamou dos acréscimos. Foram apenas 9 minutos, quando deveria ser, no mínimo, 15. A Fifa recomenda 60 minutos de bola rolando. Em Cruzeiro x Democrata, se ela rolou 40, foi muito.
O Cruzeiro entrou em campo com uma outra formação, em mais um teste, mudando seis jogadores em relação à partida contra a Caldense e a formação, ali, não funcionou. Três volantes, sendo Pedro Castro o responsável por se aproximar dos extremos Bidu e Waguininho não deu certo. Pedro tem bom passe, mas precisa jogar mais recuado. Assim, o time perdeu criatividade e insistiu, demais, em bolas alçadas na área, o que facilitou tanto para a zaga adversária, quando para a própria cera feita. Afinal, em vários momentos de disputas aéreas, o Democrata fingia lesão em possíveis contatos, a maioria simulada.
No intervalo Varini pôs em campo Daniel Jr. e João Paulo, o que melhorou a movimentação. Mas o Democrata, que já buscava não jogar e cozinhava o jogo no primeiro tempo, começou a fazer na cara dura, para elevar o ódio do torcedor ao grau máximo. Uma vergonha! Isso causou estresse nos atletas e pelas repetidas ações de simulação - que o árbitro, por sinal, foi conivente - alguns cartões foram aplicados. Machado acabou sendo a peça que mais apareceu na segunda etapa. Com praticamente 11 atletas dentro da área, restava o chute de longa distância. Em quatro oportunidades, Machado deu o seu bicudo. Numa, passou perto da trave, em outra, defendida no susto pelo goleiro. As demais foram chutes á la futebol americano.
Mas diante de um cenário horroroso, de poucas oportunidades, o Cruzeiro achou o gol, no final. Eduardo Brock - que jogou quase como um ala no segundo tempo devido ao desinteresse do adversário em atacar - achou Edu entre os zagueiros. O atacante cabeceou para o chão. A bola bateu e subiu, tocando ainda no goleiro adversário antes de entrar. No futebol não há justiça, mas se alguém merecia vencer, foi o Cruzeiro, não porque jogou bem, longe disso. Mas pela postura vergonhosa, vil, ridícula e cretina do Democrata, o empate seria um prêmio ao antijogo. Que os próximos jogos sejam melhores, que os times conquistem os pontos e os gols sem catimba.
Análise positiva
O Cruzeiro vai encontrar muitos times na Série B que vão optar pelo mesmo esquema: não querer jogar. O Democrata buscou neutralizar o Cruzeiro através do excesso de simulações, buscando atrapalhar o psicológico e tentando, talvez, uma bola. Mas nada que não precisasse. O 0-0 seria a meta. Diante desse cenário, o Cruzeiro precisará saber como lidar com essas situações. Para furar retranca, é preciso jogador habilidoso, que acha espaço onde praticamente não há. Outro ponto importante é saber lidar com o psicológico. O nível de estresse ficou no "megaultrablaster". Então... é ficar mais cascudo com tudo isso
Por: João Vitor Viana