Quem assistiu ao jogo entre Bragantino e Cruzeiro, nesse sábado (22/3), tirou algumas conclusões. Algumas boas e outras ruins. A começar pelo melhor em campo: Cássio. Isso não pode acontecer. Sinal que algo está bem errado, principalmente no setor defensivo. Mas também podemos citar a triangulação boa envolvendo os atacantes, os bons passes de Dudu, a missão de segundo homem de ataque de Kaio Jorge e o poder de velocidade de Wanderson. Cita-se, ainda, Gabigol, que foi certeiro em um chute e, por pouco, não fez o segundo. Contudo, o time precisa de equilíbrio, que passa, e muito, pelo meio.
A tática de Jardim, com quase um 4-2-4 é ofensiva demais e deixa o meio-campo vulnerável. A necessidade de fazer Dudu e Wanderson voltarem sempre não apenas desgasta os jogadores como cobra deles uma função que nunca fizeram. Acredito que até possa ocorrer essa situação durante o jogo, mas começar jogando assim é loucura.
A instabilidade do Cruzeiro passa, e muito, pela falta de homens de marcação no meio, o que deve se ajeitar com o passar dos jogos. Do meio para frente há uma nítida melhoria. Mas o setor defensivo continua precisando de melhorar. As costas de William, principalmente, tem virado um "Deus nos acuda". Outra coisa: com Villalba de lateral, o Cruzeiro perde muito ofensivamente, jogando basicamente no setor ofensivo pelo lado direito. Isso faz a equipe ser mais facilmente marcada, ainda que os atacantes sejam rápidos. Digamos que o time fica meio capenga, já que pela esquerda o time fica apenas com Dudu sendo o responsável pelas jogadas.
Alguns vícios do Dinizismo ainda são encontrados, mas ainda bem, menos que antes. A necessidade de toques desnecessários faz com que sejam criadas jogadas ofensivas ao adversário, principalmente porque quem as cria, normalmente, não têm a menor categoria para tal, como zagueiros e goleiro. Um lance e a derrota vem. É preciso melhorar. Corrigir os erros antigos e desenvolver os potenciais de cada jogador: os desafios de Leonardo Jardim.
Vou, ainda, puxar a orelha de Matheus Henrique. Normalmente técnico e um dos mais regulares, diante do Bragantino viu-se afoito, fazendo muitas faltas, inclusive um pênalti desnecessário. Há muito futebol ali, mas até pela disposição tática, talvez, tenhamos visto um dos piores jogos dele com a camisa do Cruzeiro. Como disse, algo raro. Ainda que seja um amistoso, é preciso que cada um renda o que dele se espera. Possivelmente com a entrada de um volante de toque de bola, como Christian ou Lucas Silva, esse equilíbrio sejam mais facilmente encontrado, não sobecarregando Walace ou algum outro atleta, dando ao Matheuzinho a possibilidade de marcar e atacar, o que ele faz tão bem.
Foi o primeiro teste de verdade do Cruzeiro antes do Brasileiro, mas que ainda acende alertas. E hoje, os problemas passam mais pela disposição em campo que propriamente deficiência técnica. Com os atletas certos nas posições certas, parar em insistir com outros, que não rendem e uma tática que tire dos jogadores o melhor de cada um, o Cruzeiro pode, sim, ser muito mais que vem mostrando. A consequência disso, só veremos depois. Mas, primeiro, é preciso que o time se acerte. As peças estão aí, só falta serem colocadas corretamente no tabuleiro.
POR: JOÃO VITOR VIANA