quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Rodada maluca!

 As chances são mínimas, quase inexistentes. Mas os resultados dessa rodada parecem conspirar a favor. Parece que aquele quarta vaguinha de acesso está sem dono ou sem interessados. O Juventude e o CSA, que estavam mais ali com mais frequência, têm tropeçado constantemente. O Sampaio Corrêa, derrotado pelo Cruzeiro na rodada passada em seus domínios, voltou a perder e já pode ser ultrapassado pela própria Raposa. O Cruzeiro, que joga hoje a campo, contra o lanterna Oeste, se vencer, pode ficar a apenas cinco pontos do G-4. Isso faltando quatro rodadas para o final da competição. Ou vi um "haja coração"? Pois é.

Nas redes sociais, o torcedor tem dito: "O problema é que a gente precisa acreditar no Cruzeiro"; "O Cruzeiro não me dá sossego. Será que vai?"; "Cruzeiro, por que você fica me fazendo acreditar?". Por mais que o Cruzeiro seja irregular, caso vença, o clube não só chega ao nono lugar como diminui a distância para o grupo dos quatro melhores. 

O maior dos problemas, no entanto, parece ser interno. O clube parece não ter presidente e, nesta terça-feira, como protesto, os atletas não se concentraram para a partida, haja vista que estão com salários atrasados e não têm sido atendidos pela diretoria. A atitude contou com o aval do técnico Luiz Felipe Scolari. No entanto, os atletas prometeram compromisso com o clube nessa noite.

Resultados

Ponte 2 x 2 Cuiabá (bom)

CRB 2 x 0 Guarani (bom)

Confiança 1 x 2 Operário-PR (ruim)

Botafogo-SP 2 x 1 Sampaio (bom)

Paraná 2 x 0 CSA (bom)

Brasil-RS 2 x 1 Juventude (bom)

Náutico 0 x 0 América (bom)

Chape 2 x 1 Figueirense (bom)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O famoso 6-1 (6/6)

Como venho escrevendo nessa série, comecei a ir ao Mineirão em 1990. Vi jogos épicos, vi derrotas e vitórias do Cruzeiro. Vi vários títulos. Mas um jogo, especificamente, não quis estar presente. Não confiava naquele time de 2011, desmontado por completo do ano anterior e completamente remendado e sem dinheiro. Num jogo onde os dois melhores jogadores não estariam em campo: Fábio e Montillo estavam suspensos. E o jogo poderia decretar o inédito rebaixamento do Cruzeiro. Pela frente, o maior rival em Minas. De consolo, apenas que a torcida seria toda azul e branca.

Vi de casa. Já morava sozinho naquela altura e resolvi ver o jogo ajoelhado. Eu e minha tv. Nem meu cachorro, Enricco, eu tinha ainda naquele momento. Mais parecia um árabe rezando para Meca. O jogo estava rolando, mas eu mais ouvia que via. Tudo só melhorou quando vi Roger iniciar o massacre. O mais interessante é que nem depois dos 3-0 eu ainda estava convicto.

Mas quando ficou 5-0, aí sim, veio o alívio. 6-1 acabou sendo uma consequência que até hoje o torcedor do adversário afirma que foi comprado. Não admitem que brocharam. Talvez por terem festa no meio de semana, achando que seria fácil vencer. Mas viram jogadores em campo com espírito de campeão. Ao menos ali, naquele momento de 2011, viu-se um time jogar com muita vontade, orquestrado por Roger Flores, que comandou aquela vitória épica.

O complicado foi o depois do jogo. Eu havia prometido que para qualquer gol naquela partida, seja do Cruzeiro ou do rival, seria uma dose. E, pelo que me lembro, se o Bahia vencesse o jogo dele, o Cruzeiro já se salvava. Tomei mais duas doses para o Bahia e, depois, ainda fui para um bar comemorar a permanência na Série A. 10 doses. No outro dia, quem era eu?

Nova chance: Cruzeiro segue sua sina de buscar o equilíbrio. Chance de acesso é de 0,74%

 O Cruzeiro é uma espécie de "Potkker da Série B". Aquele que você aposta que vai engrenar mas, de uma hora para outra, chuta o balde de leite. A vaca burra da fazenda ou, ao menos, a improdutiva. Aquela que vive numa onda de um mundo paralelo e que, para por os pés no chão, custa. Ou custou. Desde que o clube se viu em apuros financeiros e se viu "rasgando dinheiro" sob comando de Adilson/Bolicenho e, depois, com Enderson/Ney/Drubsky/Deivid, o clube passou a mudar o discurso. Do "vamos cumprir os salários", "é nossa obrigação estar em dia" e "é nossa obrigação subir", deu lugar para "2021 a gente sobe no final do ano", "aprendemos com os erros", "precisamos de uma segurança maior". O que? Você não ouviu o "aprendemos com os erros", né? Pois é. Foi pegadinha. Eu também não ouvi.

E assim como o time não aprendeu com os erros que a instabilidade em campo é imensa. O time não tem um equilíbrio e quando mais se espera dele, que ele consiga uma sequência, a deficiência técnica, junto a um nervosismo, atrapalha, e o resultado não vem. Sinal disso é estar no meio da tabela, mesmo com uma folha salarial mais cara da Série B.

Com apenas um clube na B que também foi campeão Brasileiro, o Guarani, o time celeste dificilmente subirá. Chances remotas. Segundo estatísticas da UFMG, 0,74% apenas. Diante do Oeste, o lanterna, que venceu apenas uma das 16 partidas que fez fora, o Cruzeiro terá nova chance de emplacar duas vitórias seguidas, algo raro desde o ano passado. Que Fábio motive o time, como fez diante do Sampaio Corrêa; que o sal grosso seja jogado do Independência; que qualquer mandinga seja feita para o Cruzeiro chegar aos 47 pontos. Não porque acredito que o time vá subir. Acredito, aliás, que daqui uns meses estará diante do Botafogo, do Coritiba, do Remo, do Paysandu, do Goiás, do Bahia. Times muito mais fortes que esses que pegamos essa temporada. Até por isso, fala-se, nos bastidores, de enxugamento de folha, contratações pontuais de jogadores "cascudos" e rodagem e num time mais coeso, menos técnico, mas mais vibrante.

Contra o Oeste, nova chance de mostrar equilíbrio. Contra o Oeste, mais uma chance de alguns mostrarem valor. Manoel volta; Potkker e Giovanni, suspensos, estão fora. 

 

Por: João Vitor Viana

100 anos em seis partes: Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O Novo Mineirão (5/6)

 O palco celeste se fechou por anos.

O Cruzeiro teve que mandar seus jogos para longe.

Lembro de ter que ir para Sete Lagoas, naquele acanhado estádio, ver o time jogar Libertadores.

Muito chão e pouca história por aqueles lados.

Cruzeiro é de BH, do Mineirão.

Nem se os jogos fossem para o Independência teria o mesmo sentido.

Até que o Mineirão voltou.

Reabriu sobre outra égide.

Sobre uma administração que não era mais da Ademg.

E como foi difícil ver o jogo de reestreia do estádio.

Uma bagunça.

Problemas com ingressos aos torcedores, de credenciamento aos jornalistas.

Eu, que estava apto a cobrir o jogo, perdi o primeiro tempo por causa da burocracia de entrada.

Não vi o gol contra de Marcos Rocha naquele Atlético x Cruzeiro.

Não vi o gol do Atlético, que empatou a partida.

Mas consegui ver o gol de Dagoberto, que decidiu o jogo.

No campo, tudo bem.

Fora dele, parecia que havia passado um furacão.

Faltou até água.

Ainda bem que tempos depois se resolveu e hoje não há mais esse amadorismo.

Mas foi tenso.

Tempos que, graças a Deus, não voltam mais.

E uma história que só posso contar pelo segundo tempo, já que não vi o primeiro.

Ah, Minas Arena!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O jogo da minha vida (4/6)

 Poucas são as pessoas que têm a feliz alegria de estar numa final de campeonato. Seja regional, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores, Supercopa, Mundial, dentro de um nicho de milhões, você estar ali, no palco da decisão, é uma sensação incrível. Imagina para alguém com 17 anos, iniciando a vida e sendo movido por uma avalanche de cânticos e atmosfera incrível? Esse alguém era eu na final da Copa do Brasil de 2000.

O Cruzeiro foi tetra, pena, hexa depois. Havia sido campeão da Libertadores três anos antes. Mas a emoção que aquele jogo passou, não tenho dúvidas, foi a maior que já senti. Cruzeiro de André, Muller, Fábio Júnior, Sorin, Viveros, Oseas, Clebão, Ricardinho e ele, Giovanni, o predestinado. Giovanni, dois anos antes, havia sido emprestado ao América, onde não teve tanta chance e quase foi dispensado pelo Cruzeiro em 1999, com Levir Culpi. E aquele seria o jogo que marcaria a vida dele e de milhões de cruzeirenses.

Na antiga cadeira de setor do Mineirão, abaixo das arquibancadas e no nível do gramado, lembro do gol de Marcelinho Paraíba, que silenciou o Gigante da Pampulha, mas a torcida, apenas de forma momentânea. Vi e ouvi choros por perto, de quem estava acreditando mas, por algum motivo, começara a duvidar daqueles guerreiros que estavam em campo. Talvez, até pelo fato do técnico, Marco Aurélio, fazer sua despedida. Ainda que fosse um treinador de final, o Cruzeiro havia anunciado, antes do jogo, a chegada de Luiz Felipe Scolari. Ou seja, haveria troca no comando e os jogadores poderiam não se dedicar como a torcida esperava.

No entanto, as coisas começaram a mudar quando Ricardinho acionou Muller que, com um tapa, pôs Fábio Júnior frente a frente com Rogério Ceni. E ali o fuzil AR15 do matador azul furou a barreira do gol são-paulino. Tudo empatado aos 34min de jogo e uma esperança ressurgiu. O empate ainda daria o título, naquela época, ao São Paulo, por ter feito gol na casa do adversário. O primeiro jogo havia terminado em 0 a 0.

O tempo foi passando e o torcedor voltou a ficar apreensivo. Clebão, aos 41min, deu um bico e a bola foi parar nas mãos de Rogério. A sensação de tristeza e apreensão voltara. Não apenas naquelas pessoas que haviam começado a chorar quando o gol do adversário saiu, mas de todos no Mineirão. Jovens, adultos e idosos roíam as unhas e torcidam pelo lance que decidiria a partida.

E o lance veio aos 44min, quando a bola, curiosamente, estava com o São Paulo, que trocava passes no meio e o Cruzeiro estava recusado. Levir Culpi, aquele mesmo, que quase mandou Giovanni embora no ano anterior, havia tirado todos seus atacantes e recuado o time. Pôs um tal Axel em campo, jogador rodado, experiente, com a função de marcar e parar o jogo. E foi justamente Axel que errou um passe no meio-campo, recuando a bola de forma equivocada para Rogério Pinheiro, que perdeu na corrida para o menino Giovanni. O zagueiro não teve outra alternativa que não parar o atacante celeste com falta e levar o cartão vermelho.

O lance estava ali. Poucos metros da grande área. Mas o tempo estava correndo e era mais um adversário contra. O São Paulo não respeitava a distância da barreira de 9,15m, ficando ali, entre 7,7m e 7,9m, como se pode ver, hoje, no Youtube. Quem batia faltas no Cruzeiro era Ricardinho, que estava ali, próximo de Giovanni. Contudo, o atacante de 20 anos naquele momento, pediu a bola. Muller, aos berros, falava para ele bater forte. Enquanto isso, Alberto Rodrigues dizia: “Muller o aconselha”; Luciano do Valle falava: “Muller fala para Giovanni bater com fé”; “Cleber Machado ecoava um “Muller está bravo”. A torcida estava tensa e esperava, do jovem, o gol do título. E num chute, de falta, que mais parecia um pênalti, diria Albertinho, Giovanni estufou as redes de Rogério. Poucos se lembram que o volante Donizete Oliveira, na hora da cobrança, deu um tranco na barreira, que abriu. A bola passou debaixo das pernas do volante Axel, aquele mesmo que Levir havia optado por entrar e esfriar o jogo e que errou no passe que originou a falta.

O mundo deu voltas para Levir. O seu time acabou sendo derrotado com o gol do atacante que ele não soube aproveitar um ano antes, por erro de um jogador que ele acreditou que venceria aquela final para “fechar o meio”. Mas aí vocês vão perguntar: “Mas e aquele lance que teve logo em seguida, quando Clebão salvou em cima da linha?”. Sim, teve, sim, esse lance. Marcelinho Paraíba, novamente, quase marcou. Numa defesa monumental, André salvou o Cruzeiro e Cléber, antes que Raí chegasse, deu um bico para longe”.

E aí? Realmente não foi o jogo mais emocionante? Logicamente aquele jogo traz várias outras perguntas. Por exemplo: o que Marco Aurélio queria orientar o time logo após o gol de Giovanni? Algo que nunca entendi. E onde está a menina de óculos, que pulou tanto após aquele gol e que virou lembrança junto ao gol? Até hoje, vendo e revendo esse jogo, é possível se emocionar. E como é bom lembrar que estar presente a essa partida histórica é algo que ficou marcado eternamente na memória.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. As histórias por trás das câmeras (3/6)

 Estar no campo, como jornalista, cobrindo um jogo do Cruzeiro, é sensacional. É a mistura da “fome com a vontade de comer”. É poder, como profissional, buscar ser o melhor ali presente e, como torcedor, poder ver os ídolos de perto, não se deixando, no entanto, envolver-se em emoção além daquilo que o trabalho exige.

Contudo, em 2017 saí da linha. Sai sim e admito! Ali, na área de imprensa do Mineirão, em dois jogos, deixei de lado o lado profissional. Jogos tensos na Copa do Brasil e decisões nos pênaltis. E quem sabe bem, a área da imprensa é bem ao lado de onde fica a torcida do time visitante. Ah, eu não estava aguentando as provocações dos gremistas, nas semifinais. E olha que tenho um carinho especial pelo Grêmio, por histórias particulares. Mas em campo, a batalha era tipo “A Batalha dos Aflitos”. Contudo, quem estava aflito era o torcedor, que teve em Fábio, o ídolo daquele momento.

Como foi bom explodir com a classificação para a final, onde pegaríamos o Flamengo. E sim, o torcedor do Grêmio ouviu! Não só eu, mas vários jornalistas vibraram junto com a torcida com a classificação para a final. As provocações dos gremistas foram rebatidas à altura, ainda que talvez 10% menos que seria se estivesse vestindo a indumentária celeste nas cadeiras do Mineirão. Os gremistas, talvez, não tenham ouvido o suficiente, que soltamos na final, na conquista diante do Flamengo, naquele jogo que o goleiro do adversário teve cara de pau de pedir dois toques de Thiago Neves na cobrança final. Tentando, na malandragem, anular o gol do título do Cruzeiro, a torcida do Flamengo também ouviu. E quem me conhece, sabe. Não gosto de injustiça, embora no futebol, isso seja um tanto quanto relativo. Mas quem quer ganhar na molecagem, para mim, precisa ser bem repreendido. E o grito de campeão ecoou, inclusive da área da imprensa.

É recomendado que a gente não se manifeste. Mas só quem está ali, naquela tensão da final, ouvindo provocação calado para imaginar como estava aquela atmosfera. Ah! Se ouve alguma contensão de emoção diante do Grêmio, contra o Flamengo, a noite estava só começando. A cidade ficou pequena, as entrevistas foram ótimas e o coração bateu bem, mas bem forte por sermos, ali, penta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O desfile de craques (2/6)

 100 anos é tempo suficiente para um clube ter nomes marcados. O Cruzeiro, um gigante não de Minas, mas do mundo, não é diferente. Craques passaram pela Toca da Raposa e diversas são as histórias deles dentro e fora de campo. Tostão, Dirceu Lopes, Palhinha, Evaldo, Piazza, Raul, Nelinho e tantos outros abrilhantaram um tempo de estrelas que bateu de frente com o Santos, de Pelé. E a Taça Brasil de 66 mostrou que o melhor time do Brasil, naquele momento, não era do badalado “Melhor de Todos os Tempos”.

E como não lembrar de outros tempos áureos? Esquecer, por exemplo, a técnica de Raimundo Nonato, a marcação precisa de Ademir, o passe refinado de Douglas, o pensamento rápido de Luis Fernando Flores? Que time era aquele de 91/92, que iniciava com Paulo César Borges e fechava com Roberto Gaúcho? E o “Boi, Boi, Boi, Boi, Boiadeiro, vê se faz um gol para a torcida do Cruzeiro?”. Época de um time coeso, liderado por grandes técnicos como Ênio Andrade, Carlos Alberto Silva, Jair Pereira...No passado, com Zezé Moreira, Ilton Chaves, Niginho... 100 anos que craques envergaram e honraram o manto sagrado. Um manto que foi vestido, posteriormente, por craques mais atuais como Dida, Alex, Aristizábal, Maldonado, Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e outros, que ainda estão por vir, terão essa honra.

O Cruzeiro tem, na sua cerne, a produção de jogadores, a projeção de outros e a construção de uma história, de títulos e de glórias. E assim será pelos próximos 100 anos! É o desejo da torcida, que não se esquece do que já viveu e espera reviver novamente. Afinal, recordar é viver e tantos foram os craques, que acabaram com vocês, rivais!