Fim de uma tragédia anunciada: Tite deixa o Cruzeiro sem, ao menos, dar declaração. O empate por 3 a 3 com o Vasco, na noite de domingo, no Mineirão, sepultou o trabalho trágico iniciado em janeiro e que, apesar do título do Campeonato Mineiro, nunca convenceu.
Com um futebol nada envolvente, burocrático e fatídico, o Cruzeiro afastou seu torcedor do campo e o sócio do programa. Pediu, incontáveis vezes, a troca do comando. Não foi ouvida. Aliás, quando especularam que Tite seria o substituto de Leonardo Jardim, a rejeição já foi alta. A diretoria, assim como fez quando contratou Fernando Diniz, deu de ombros e achou que sabia mais de futebol que 10 milhões de pessoas. E deu no que deu.
Três meses jogados no lixo, um planejamento muito mal feito, avaliação de grupo lamentável, vendas injustificadas, muito investimento em poucos jogadores e um sistema tático que se provou inexistente. Para um time com Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil pela frente, o projto é de um time de Série C.
O departamento de futebol ficou órfão com a saída de Pelaipe. Bruno Spindel só veio para que Gerson viesse. Aliás, com o dinheiro investido em Gerson dava para ter contratado ao menos uns 4 jogadores para posições carentes, que permanecem, por sinal. Falta zagueiro, volante, meia e atacante. Mas Tite não quis, Pedro Júnio, idem e a torcida, de novo, nao foi ouvida. Deu no que deu.
E todas as decisões de Tite - inclusive a de deixar seu filho, incompetente, comandar o time à beira do gramado - trouxe as decepções. Em mais um jogo em casa, com Mineirão vazio, empate. E olha que saiu no lucro! Segundo tempo de amargar e uma correção de rota necessária: tirar um dos problemas do time, talvez o maior, para tentar algo ainda esse ano. Mas para tanto, a diretoria precisa descer do pedestal que ela mesma subiu.
O primeiro passo é trazer o torcedor para perto. De novo, isso não tem ocorrido. Não é abrindo porta de Toca da Raposa em véspera de final de rural que isso acontece. É ouvindo, é criando um plano de comunicação, é agradando, é contratando treinador que a torcida aprova. E mais: tendo uma poítica interna que não aceta interferência de treinador. Em 2025 estava tudo certinho: investiento em jovens promissores com expectativa de revenda e aumentando o nível do grupo. Tite atrapalhu tudo isso: preferiu jogadores mais rodados e encostados e liberou promessas da base à preço de banana. E eu no que deu!
Na zona de rebaixamento incômoda, a diretoria preferiu apenas se posicionar e meio que culpar o treinador por todos os males. Sabemos que não era o único problema que, aliás, foi criado pela diretoria. Troxue Tite como trouxe Diniz. Na apresentação de ambos, o mesmo discurso: "currículo que dispensa comentários". Diretoria vive de passado e o Cruzeiro não é museu.
Que com mais um tropeço, o que a gente fala desde lá de trás seja iniciado. É preciso ter um técnico de verdade. Já que o Jardim se rendeu aos milhões do Flamengo, que quem venha tenha um perfil parecido: carta branca para estruturar, contratar jovens, aumentar as opções de elenco, dar chance para a base e fazer o time jogar, com treinos decentes e sem estourar jogador. Há muitos anos o Cruzeiro não convive com tantas lesões! Tite jogou o grupo de jogadores, limitado em número, no Departamento Médico. O elenco virou açougue!
Agora é hora de contratar um treinador de verdade! Pague multa alta se precisar! Mas traga! Não me venha com conversa fiada de trazer esse ou aquele disponível no mercado. O Cruzeiro, historicamente, quando quis um técnico foi até ele e tirou ele de algum time. Fez assim, por exemplo, com Felipão. O Cruzeiro tinha uma meta, que se perdeu de novo, porque a diretoria não ouve. O problema de SAF e que sendo dono, pouco importa o que o seu cliente deseja. Mas sem torcida, time nenhum, SAF ou não, vinga.
Que o Cruzeiro corrija a besteira que fez não fazendo outra! Ou é Artur Jorge, Filipe Luis, Gallardo ou Crespo. Algo fora disso, para mim, é outra aposta. Para apostar, que deixe o Mairon, do sub-20. Antes alguém promissor que outros, comprovadamente decadentes, como é o caso de Tite.
POR: JOÃO VITOR VIANA

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