O Cruzeiro, mais uma vez, deixou sua torcida no ódio. E não faltaram motivos: não bastasse a eliminação do time na Libertadores, agora saiu da Copa do Brasil, da qual é o maior vencedor, por seu maior rival. E o que mais dá nos nervos é que o Cruzeiro errou TUDO. Explico.
Depois de não vencer o primeiro jogo, em partida que poderia e deveria, conseguiu ceder a um adversário inferior, pior, mas motivado. Ficar com um a menos, obviamente, fez diferença. Mas tudo era possível, inclusive de reverter. O CRUZEIRO NÃO QUIS.
Foi mal escalado, para começar. Wesley já mostrou que chegou abaixo, que é "jogador de segundo tempo" e, com ele, o Cruzeiro perde o meio. Nada justifica o isolamento de Lucas Silva e a insistência com Matheus Henrique, para mim, hoje, um entregador de bola ao adversário. O jogo era para entrar no 4-4-2, com Gerson mais avançado e Matheus Pereira "flutuando". Artur Jorge não quis.
Em campo, o time abriu 1 a 0 cedo, com Kaio Jorge. Nem assim o time se acertou, permitindo o crescimento do adversário que, insisto, é inferior em técnica, mas jogou com mais vontade. Aliás, vontade em jogo decisivo, esse elenco do Cruzeiro já mostrou que não vai mostrar. É muito dinheiro para pouca bola nesses casos. De que adianta ganhar do Flamengo no Brasileiro e ser eliminado na Libertadores? Vencer o rival no rural e ser eliminado na Copa do Brasil? Nada!
Com vantagem no placar, Artur Jorge voltou a agir. Manteve em campo, laterais amarelados. Não demorou o início do segundo tempo e "zaz", Villalba expulso. O que dá na cabeça de um treinador manter um jogador improvisado na função, amarelado, argentino, que dá o sangue se preciso em campo, sabendo que, se cm 11 estava difícil, com 10 poderia ficar impossível? Artur Jorge pagou para ver. E como saiu caro!
Pior que isso foi ver sacar os três melhores atletas do time de uma só vez e por, em campo, jogadores piores que as opções que tinha no banco. Voltou a insistir em Neyser, Kenji e o amado Matheus Henrique. Não só trouxe o adversário para o próprio campo, como matou, por completo, quaisquer chances de buscar uma bola e fazer gol. Ao levar o empate, Artur Jorge voltou à cena: pediu uma linha de cinco atrás. A linha que ele pediu foi feita e o segundo gol saiu. O meio, que deveria estar povoado para frear as investidas, ficou vazio. A distância de marcação era de 5 metros, o que facilitava a troca de bola rápida do adversário. Além disso, a bola aérea continua sendo um martírio. Não fosse a trave e Otávio o estrago seria maior. E ontem, na conta do treinador.
Artur Jorge não enxergou o óbvio. Tentou reinventar a roda. Deu tudo errado e foi legitimamente eliminado. O trabalho dele desde que chegou, em números, é excelente. Mas no mata-mata, catastrófico. A culpa é só dele? Lógico que não! O Cruzeiro não tem executivo de futebol decente. Spindel e Pedro Junio podem dar as mãos e buscarem outro ofício. Pedro Lourenço assina cheque com emoção e depois chora com o que vê.
O Cruzeiro precisa de um departamento de futebol competente, que saiba montar elenco equilibrado, não venda jogadores importantes - caso de Kaiki e Christian, principalmente - e traga jogadores que chamem a responsabilidade em momentos únicos. Sobrou o Brasileiro, que essa mesma diretoria deixou nas mãos de Tite no início do ano. Oito rodadas na zona de rebaixamento. A mesma diretoria que vende mal, repõe mal, que vai torcer para Flamengo em Libertadores e que é eliminado pelo rival na Copa do Brasil.
2026 já era. Pode ficar pior? Claro, principalmente se não vier a vaga da Libertadores, possível, agora, apenas pelo Brasileiro, a competição que restou. O torcedor termina o ano sabedor que poderia ter beliscado algo, mas que o planejamento feito foi uma merda total. Não tem outra palavra, inclusive. Ao se pensar que Tite seria o guia de um elenco, daí já se tira que o leme estava à deriva. Depois vieram os executivos incompetentes e liberaram jogadores importantes. Tiveram as lesões de Pec e Sinisterra, tudo bem. Mas no caso do colombiano, tê-lo comprado já foi um risco assumido. Mas o dinheiro é do Pedro, né?
Um problema de time rico, com dono e que a torcida vira coadjuvante é isso. Não ouvem, não dão espaço ao torcedor, acham que sabem mais que todos.
Colhem o que merecem, infelizmente. O coração é azul, mas HOJE o torcedor está roxo... de raiva.
POR: JOÃO VITOR VIANA

3 comentários:
Tem toda razão, meu caro. E ainda vou além: comparo o comportamento do dono do time com o de um bobo da corte. O currículo desse técnico inclui os sucessos no Botafogo, quando ele tinha nada menos que Almada, Luiz Henrique e Igor Jesus. No Cruzeiro, ele tem Neiser, João Costa e Wesley.
Fica difícil avaliar a competência de um profissional quando ele tem um abismo entre as peças à disposição, em cada caso. Por outro lado, qualquer técnico mediano teria plena condição de tirar o time do buraco em que o Tite colocou. Time joga sempre com 2 jogadores no meio campo contra 4 dos adversários e o meio de campo é uma avenida de alta velocidade. Lucas Silva é descartado, tendo sido titular no ano passado, com um técnico infinitamente mais competente. Em um ato típico, o bobo da corte prorrogou o contrato do técnico até 2030. Temerário ou está queimando dinheiro.
Acho que hoje o melhor seria se o Pedro Júnior fosse cuidar dos supermercados e contratasse o Marcos Brás ex Flamengo! Cruzeiro tá sem comando!
O Cruzeiro morreu em 2019. Não estou falando da instituição, estou falando da alma do clube. Naquele ano foram embora o brio, a identidade, a cobrança e a vergonha de fracassar com essa camisa. Desde então, virou rotina assistir a jogadores sem personalidade, times sem sangue e gente tratando derrota como algo normal. O pior não é perder. O pior é perder e parecer que ninguém sente. O Cruzeiro que conhecíamos tinha orgulho, tinha postura e fazia adversário respeitar. Hoje, muitas vezes, parece apenas um clube carregando uma história que seus próprios jogadores não têm capacidade de honrar.
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