Estar no campo, como jornalista, cobrindo um jogo do Cruzeiro, é sensacional. É a mistura da “fome com a vontade de comer”. É poder, como profissional, buscar ser o melhor ali presente e, como torcedor, poder ver os ídolos de perto, não se deixando, no entanto, envolver-se em emoção além daquilo que o trabalho exige.
Contudo, em 2017 saí da linha. Sai sim e admito! Ali, na
área de imprensa do Mineirão, em dois jogos, deixei de lado o lado
profissional. Jogos tensos na Copa do Brasil e decisões nos pênaltis. E quem
sabe bem, a área da imprensa é bem ao lado de onde fica a torcida do time
visitante. Ah, eu não estava aguentando as provocações dos gremistas, nas
semifinais. E olha que tenho um carinho especial pelo Grêmio, por histórias
particulares. Mas em campo, a batalha era tipo “A Batalha dos Aflitos”.
Contudo, quem estava aflito era o torcedor, que teve em Fábio, o ídolo daquele
momento.
Como foi bom explodir com a classificação para a final, onde
pegaríamos o Flamengo. E sim, o torcedor do Grêmio ouviu! Não só eu, mas vários
jornalistas vibraram junto com a torcida com a classificação para a final. As
provocações dos gremistas foram rebatidas à altura, ainda que talvez 10% menos
que seria se estivesse vestindo a indumentária celeste nas cadeiras do Mineirão.
Os gremistas, talvez, não tenham ouvido o suficiente, que soltamos na final, na
conquista diante do Flamengo, naquele jogo que o goleiro do adversário teve
cara de pau de pedir dois toques de Thiago Neves na cobrança final. Tentando,
na malandragem, anular o gol do título do Cruzeiro, a torcida do Flamengo
também ouviu. E quem me conhece, sabe. Não gosto de injustiça, embora no
futebol, isso seja um tanto quanto relativo. Mas quem quer ganhar na molecagem,
para mim, precisa ser bem repreendido. E o grito de campeão ecoou, inclusive da
área da imprensa.
É recomendado que a gente não se manifeste. Mas só quem está
ali, naquela tensão da final, ouvindo provocação calado para imaginar como
estava aquela atmosfera. Ah! Se ouve alguma contensão de emoção diante do
Grêmio, contra o Flamengo, a noite estava só começando. A cidade ficou pequena,
as entrevistas foram ótimas e o coração bateu bem, mas bem forte por sermos,
ali, penta.






