A última rodada da Série B vai reservar somente emoções na parte de cima da tabela. América e Chapecoense lutam pelo título, que significa mais R$ 3 milhões na sua conta, já que o vencedor da Série B entra direto nas oitavas-de-final da Copa do Brasil; além da última vaga no G-4, disputada por Avaí, CSA e Juventude. A tendência é que o CSA ocupe aquela posição, pelos encontros de sexta-feira, última rodada da competição.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Hora de um projeto!
A última rodada da Série B vai reservar somente emoções na parte de cima da tabela. América e Chapecoense lutam pelo título, que significa mais R$ 3 milhões na sua conta, já que o vencedor da Série B entra direto nas oitavas-de-final da Copa do Brasil; além da última vaga no G-4, disputada por Avaí, CSA e Juventude. A tendência é que o CSA ocupe aquela posição, pelos encontros de sexta-feira, última rodada da competição.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Rodada maluca!
As chances são mínimas, quase inexistentes. Mas os resultados dessa rodada parecem conspirar a favor. Parece que aquele quarta vaguinha de acesso está sem dono ou sem interessados. O Juventude e o CSA, que estavam mais ali com mais frequência, têm tropeçado constantemente. O Sampaio Corrêa, derrotado pelo Cruzeiro na rodada passada em seus domínios, voltou a perder e já pode ser ultrapassado pela própria Raposa. O Cruzeiro, que joga hoje a campo, contra o lanterna Oeste, se vencer, pode ficar a apenas cinco pontos do G-4. Isso faltando quatro rodadas para o final da competição. Ou vi um "haja coração"? Pois é.
Nas redes sociais, o torcedor tem dito: "O problema é que a gente precisa acreditar no Cruzeiro"; "O Cruzeiro não me dá sossego. Será que vai?"; "Cruzeiro, por que você fica me fazendo acreditar?". Por mais que o Cruzeiro seja irregular, caso vença, o clube não só chega ao nono lugar como diminui a distância para o grupo dos quatro melhores.
O maior dos problemas, no entanto, parece ser interno. O clube parece não ter presidente e, nesta terça-feira, como protesto, os atletas não se concentraram para a partida, haja vista que estão com salários atrasados e não têm sido atendidos pela diretoria. A atitude contou com o aval do técnico Luiz Felipe Scolari. No entanto, os atletas prometeram compromisso com o clube nessa noite.
Resultados
Ponte 2 x 2 Cuiabá (bom)
CRB 2 x 0 Guarani (bom)
Confiança 1 x 2 Operário-PR (ruim)
Botafogo-SP 2 x 1 Sampaio (bom)
Paraná 2 x 0 CSA (bom)
Brasil-RS 2 x 1 Juventude (bom)
Náutico 0 x 0 América (bom)
Chape 2 x 1 Figueirense (bom)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O famoso 6-1 (6/6)
Como venho escrevendo nessa série, comecei a ir ao Mineirão em 1990. Vi jogos épicos, vi derrotas e vitórias do Cruzeiro. Vi vários títulos. Mas um jogo, especificamente, não quis estar presente. Não confiava naquele time de 2011, desmontado por completo do ano anterior e completamente remendado e sem dinheiro. Num jogo onde os dois melhores jogadores não estariam em campo: Fábio e Montillo estavam suspensos. E o jogo poderia decretar o inédito rebaixamento do Cruzeiro. Pela frente, o maior rival em Minas. De consolo, apenas que a torcida seria toda azul e branca.
Vi de casa. Já morava sozinho naquela altura e resolvi ver o
jogo ajoelhado. Eu e minha tv. Nem meu cachorro, Enricco, eu tinha ainda
naquele momento. Mais parecia um árabe rezando para Meca. O jogo estava
rolando, mas eu mais ouvia que via. Tudo só melhorou quando vi Roger iniciar o
massacre. O mais interessante é que nem depois dos 3-0 eu ainda estava
convicto.
Mas quando ficou 5-0, aí sim, veio o alívio. 6-1 acabou
sendo uma consequência que até hoje o torcedor do adversário afirma que foi
comprado. Não admitem que brocharam. Talvez por terem festa no meio de semana,
achando que seria fácil vencer. Mas viram jogadores em campo com espírito de
campeão. Ao menos ali, naquele momento de 2011, viu-se um time jogar com muita
vontade, orquestrado por Roger Flores, que comandou aquela vitória épica.
O complicado foi o depois do jogo. Eu havia prometido que
para qualquer gol naquela partida, seja do Cruzeiro ou do rival, seria uma
dose. E, pelo que me lembro, se o Bahia vencesse o jogo dele, o Cruzeiro já se
salvava. Tomei mais duas doses para o Bahia e, depois, ainda fui para um bar
comemorar a permanência na Série A. 10 doses. No outro dia, quem era eu?
Nova chance: Cruzeiro segue sua sina de buscar o equilíbrio. Chance de acesso é de 0,74%
O Cruzeiro é uma espécie de "Potkker da Série B". Aquele que você aposta que vai engrenar mas, de uma hora para outra, chuta o balde de leite. A vaca burra da fazenda ou, ao menos, a improdutiva. Aquela que vive numa onda de um mundo paralelo e que, para por os pés no chão, custa. Ou custou. Desde que o clube se viu em apuros financeiros e se viu "rasgando dinheiro" sob comando de Adilson/Bolicenho e, depois, com Enderson/Ney/Drubsky/Deivid, o clube passou a mudar o discurso. Do "vamos cumprir os salários", "é nossa obrigação estar em dia" e "é nossa obrigação subir", deu lugar para "2021 a gente sobe no final do ano", "aprendemos com os erros", "precisamos de uma segurança maior". O que? Você não ouviu o "aprendemos com os erros", né? Pois é. Foi pegadinha. Eu também não ouvi.
E assim como o time não aprendeu com os erros que a instabilidade em campo é imensa. O time não tem um equilíbrio e quando mais se espera dele, que ele consiga uma sequência, a deficiência técnica, junto a um nervosismo, atrapalha, e o resultado não vem. Sinal disso é estar no meio da tabela, mesmo com uma folha salarial mais cara da Série B.
Com apenas um clube na B que também foi campeão Brasileiro, o Guarani, o time celeste dificilmente subirá. Chances remotas. Segundo estatísticas da UFMG, 0,74% apenas. Diante do Oeste, o lanterna, que venceu apenas uma das 16 partidas que fez fora, o Cruzeiro terá nova chance de emplacar duas vitórias seguidas, algo raro desde o ano passado. Que Fábio motive o time, como fez diante do Sampaio Corrêa; que o sal grosso seja jogado do Independência; que qualquer mandinga seja feita para o Cruzeiro chegar aos 47 pontos. Não porque acredito que o time vá subir. Acredito, aliás, que daqui uns meses estará diante do Botafogo, do Coritiba, do Remo, do Paysandu, do Goiás, do Bahia. Times muito mais fortes que esses que pegamos essa temporada. Até por isso, fala-se, nos bastidores, de enxugamento de folha, contratações pontuais de jogadores "cascudos" e rodagem e num time mais coeso, menos técnico, mas mais vibrante.
Contra o Oeste, nova chance de mostrar equilíbrio. Contra o Oeste, mais uma chance de alguns mostrarem valor. Manoel volta; Potkker e Giovanni, suspensos, estão fora.
Por: João Vitor Viana
100 anos em seis partes: Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O Novo Mineirão (5/6)
O palco celeste se fechou por anos.
O Cruzeiro teve que mandar seus jogos para longe.
Lembro de ter que ir para Sete Lagoas, naquele acanhado
estádio, ver o time jogar Libertadores.
Muito chão e pouca história por aqueles lados.
Cruzeiro é de BH, do Mineirão.
Nem se os jogos fossem para o Independência teria o mesmo
sentido.
Até que o Mineirão voltou.
Reabriu sobre outra égide.
Sobre uma administração que não era mais da Ademg.
E como foi difícil ver o jogo de reestreia do estádio.
Uma bagunça.
Problemas com ingressos aos torcedores, de credenciamento
aos jornalistas.
Eu, que estava apto a cobrir o jogo, perdi o primeiro tempo
por causa da burocracia de entrada.
Não vi o gol contra de Marcos Rocha naquele Atlético x
Cruzeiro.
Não vi o gol do Atlético, que empatou a partida.
Mas consegui ver o gol de Dagoberto, que decidiu o jogo.
No campo, tudo bem.
Fora dele, parecia que havia passado um furacão.
Faltou até água.
Ainda bem que tempos depois se resolveu e hoje não há mais
esse amadorismo.
Mas foi tenso.
Tempos que, graças a Deus, não voltam mais.
E uma história que só posso contar pelo segundo tempo, já
que não vi o primeiro.
Ah, Minas Arena!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O jogo da minha vida (4/6)
Poucas são as pessoas que têm a feliz alegria de estar numa final de campeonato. Seja regional, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores, Supercopa, Mundial, dentro de um nicho de milhões, você estar ali, no palco da decisão, é uma sensação incrível. Imagina para alguém com 17 anos, iniciando a vida e sendo movido por uma avalanche de cânticos e atmosfera incrível? Esse alguém era eu na final da Copa do Brasil de 2000.
O Cruzeiro foi tetra, pena, hexa depois. Havia sido campeão
da Libertadores três anos antes. Mas a emoção que aquele jogo passou, não tenho
dúvidas, foi a maior que já senti. Cruzeiro de André, Muller, Fábio Júnior,
Sorin, Viveros, Oseas, Clebão, Ricardinho e ele, Giovanni, o predestinado.
Giovanni, dois anos antes, havia sido emprestado ao América, onde não teve
tanta chance e quase foi dispensado pelo Cruzeiro em 1999, com Levir Culpi. E
aquele seria o jogo que marcaria a vida dele e de milhões de cruzeirenses.
Na antiga cadeira de setor do Mineirão, abaixo das arquibancadas
e no nível do gramado, lembro do gol de Marcelinho Paraíba, que silenciou o
Gigante da Pampulha, mas a torcida, apenas de forma momentânea. Vi e ouvi
choros por perto, de quem estava acreditando mas, por algum motivo, começara a
duvidar daqueles guerreiros que estavam em campo. Talvez, até pelo fato do
técnico, Marco Aurélio, fazer sua despedida. Ainda que fosse um treinador de
final, o Cruzeiro havia anunciado, antes do jogo, a chegada de Luiz Felipe
Scolari. Ou seja, haveria troca no comando e os jogadores poderiam não se
dedicar como a torcida esperava.
No entanto, as coisas começaram a mudar quando Ricardinho
acionou Muller que, com um tapa, pôs Fábio Júnior frente a frente com Rogério
Ceni. E ali o fuzil AR15 do matador azul furou a barreira do gol são-paulino.
Tudo empatado aos 34min de jogo e uma esperança ressurgiu. O empate ainda daria
o título, naquela época, ao São Paulo, por ter feito gol na casa do adversário.
O primeiro jogo havia terminado em 0 a 0.
O tempo foi passando e o torcedor voltou a ficar apreensivo.
Clebão, aos 41min, deu um bico e a bola foi parar nas mãos de Rogério. A
sensação de tristeza e apreensão voltara. Não apenas naquelas pessoas que
haviam começado a chorar quando o gol do adversário saiu, mas de todos no Mineirão.
Jovens, adultos e idosos roíam as unhas e torcidam pelo lance que decidiria a
partida.
E o lance veio aos 44min, quando a bola, curiosamente,
estava com o São Paulo, que trocava passes no meio e o Cruzeiro estava
recusado. Levir Culpi, aquele mesmo, que quase mandou Giovanni embora no ano
anterior, havia tirado todos seus atacantes e recuado o time. Pôs um tal Axel
em campo, jogador rodado, experiente, com a função de marcar e parar o jogo. E
foi justamente Axel que errou um passe no meio-campo, recuando a bola de forma
equivocada para Rogério Pinheiro, que perdeu na corrida para o menino Giovanni.
O zagueiro não teve outra alternativa que não parar o atacante celeste com
falta e levar o cartão vermelho.
O lance estava ali. Poucos metros da grande área. Mas o
tempo estava correndo e era mais um adversário contra. O São Paulo não
respeitava a distância da barreira de 9,15m, ficando ali, entre 7,7m e 7,9m,
como se pode ver, hoje, no Youtube. Quem batia faltas no Cruzeiro era
Ricardinho, que estava ali, próximo de Giovanni. Contudo, o atacante de 20 anos
naquele momento, pediu a bola. Muller, aos berros, falava para ele bater forte.
Enquanto isso, Alberto Rodrigues dizia: “Muller o aconselha”; Luciano do Valle
falava: “Muller fala para Giovanni bater com fé”; “Cleber Machado ecoava um
“Muller está bravo”. A torcida estava tensa e esperava, do jovem, o gol do
título. E num chute, de falta, que mais parecia um pênalti, diria Albertinho,
Giovanni estufou as redes de Rogério. Poucos se lembram que o volante Donizete
Oliveira, na hora da cobrança, deu um tranco na barreira, que abriu. A bola
passou debaixo das pernas do volante Axel, aquele mesmo que Levir havia optado
por entrar e esfriar o jogo e que errou no passe que originou a falta.
O mundo deu voltas para Levir. O seu time acabou sendo
derrotado com o gol do atacante que ele não soube aproveitar um ano antes, por
erro de um jogador que ele acreditou que venceria aquela final para “fechar o
meio”. Mas aí vocês vão perguntar: “Mas e aquele lance que teve logo em
seguida, quando Clebão salvou em cima da linha?”. Sim, teve, sim, esse lance.
Marcelinho Paraíba, novamente, quase marcou. Numa defesa monumental, André
salvou o Cruzeiro e Cléber, antes que Raí chegasse, deu um bico para longe”.
E aí? Realmente não foi o jogo mais emocionante? Logicamente
aquele jogo traz várias outras perguntas. Por exemplo: o que Marco Aurélio
queria orientar o time logo após o gol de Giovanni? Algo que nunca entendi. E
onde está a menina de óculos, que pulou tanto após aquele gol e que virou
lembrança junto ao gol? Até hoje, vendo e revendo esse jogo, é possível se
emocionar. E como é bom lembrar que estar presente a essa partida histórica é
algo que ficou marcado eternamente na memória.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. As histórias por trás das câmeras (3/6)
Estar no campo, como jornalista, cobrindo um jogo do Cruzeiro, é sensacional. É a mistura da “fome com a vontade de comer”. É poder, como profissional, buscar ser o melhor ali presente e, como torcedor, poder ver os ídolos de perto, não se deixando, no entanto, envolver-se em emoção além daquilo que o trabalho exige.
Contudo, em 2017 saí da linha. Sai sim e admito! Ali, na
área de imprensa do Mineirão, em dois jogos, deixei de lado o lado
profissional. Jogos tensos na Copa do Brasil e decisões nos pênaltis. E quem
sabe bem, a área da imprensa é bem ao lado de onde fica a torcida do time
visitante. Ah, eu não estava aguentando as provocações dos gremistas, nas
semifinais. E olha que tenho um carinho especial pelo Grêmio, por histórias
particulares. Mas em campo, a batalha era tipo “A Batalha dos Aflitos”.
Contudo, quem estava aflito era o torcedor, que teve em Fábio, o ídolo daquele
momento.
Como foi bom explodir com a classificação para a final, onde
pegaríamos o Flamengo. E sim, o torcedor do Grêmio ouviu! Não só eu, mas vários
jornalistas vibraram junto com a torcida com a classificação para a final. As
provocações dos gremistas foram rebatidas à altura, ainda que talvez 10% menos
que seria se estivesse vestindo a indumentária celeste nas cadeiras do Mineirão.
Os gremistas, talvez, não tenham ouvido o suficiente, que soltamos na final, na
conquista diante do Flamengo, naquele jogo que o goleiro do adversário teve
cara de pau de pedir dois toques de Thiago Neves na cobrança final. Tentando,
na malandragem, anular o gol do título do Cruzeiro, a torcida do Flamengo
também ouviu. E quem me conhece, sabe. Não gosto de injustiça, embora no
futebol, isso seja um tanto quanto relativo. Mas quem quer ganhar na molecagem,
para mim, precisa ser bem repreendido. E o grito de campeão ecoou, inclusive da
área da imprensa.
É recomendado que a gente não se manifeste. Mas só quem está
ali, naquela tensão da final, ouvindo provocação calado para imaginar como
estava aquela atmosfera. Ah! Se ouve alguma contensão de emoção diante do
Grêmio, contra o Flamengo, a noite estava só começando. A cidade ficou pequena,
as entrevistas foram ótimas e o coração bateu bem, mas bem forte por sermos,
ali, penta.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O desfile de craques (2/6)
100 anos é tempo suficiente para um clube ter nomes marcados. O Cruzeiro, um gigante não de Minas, mas do mundo, não é diferente. Craques passaram pela Toca da Raposa e diversas são as histórias deles dentro e fora de campo. Tostão, Dirceu Lopes, Palhinha, Evaldo, Piazza, Raul, Nelinho e tantos outros abrilhantaram um tempo de estrelas que bateu de frente com o Santos, de Pelé. E a Taça Brasil de 66 mostrou que o melhor time do Brasil, naquele momento, não era do badalado “Melhor de Todos os Tempos”.
E como não lembrar de outros tempos áureos? Esquecer, por
exemplo, a técnica de Raimundo Nonato, a marcação precisa de Ademir, o passe
refinado de Douglas, o pensamento rápido de Luis Fernando Flores? Que time era
aquele de 91/92, que iniciava com Paulo César Borges e fechava com Roberto
Gaúcho? E o “Boi, Boi, Boi, Boi, Boiadeiro, vê se faz um gol para a torcida do
Cruzeiro?”. Época de um time coeso, liderado por grandes técnicos como Ênio
Andrade, Carlos Alberto Silva, Jair Pereira...No passado, com Zezé Moreira,
Ilton Chaves, Niginho... 100 anos que craques envergaram e honraram o manto
sagrado. Um manto que foi vestido, posteriormente, por craques mais atuais como
Dida, Alex, Aristizábal, Maldonado, Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e outros,
que ainda estão por vir, terão essa honra.
O Cruzeiro tem, na sua cerne, a produção de jogadores, a
projeção de outros e a construção de uma história, de títulos e de glórias. E
assim será pelos próximos 100 anos! É o desejo da torcida, que não se esquece
do que já viveu e espera reviver novamente. Afinal, recordar é viver e tantos
foram os craques, que acabaram com vocês, rivais!
100 jogos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O Mineirão antigo (1/6)
Você tem quantos anos? Foi ao Mineirão antes de 2012? Sabe o que é saborear um feijão tropeiro na chapa sem o mimimi de hoje? Sabe o que é fazer isso, envolto em árvores, num ambiente mais torcida e menos gourmet? Assim era a parte de fora do estádio, onde torcedores se aglomeravam mas, principalmente, se confraternizavam antes e após os jogos. Obviamente havia episódios onde a cavalaria chegava, brigas ocasionais de torcedores do mesmo time ou com torcedores rivais, mas era um outro ambiente.
Mais escuro, mais ermo, pessoas que mijavam nas árvores?
Sim, mas que dá saudade. Talvez por ter ido muito ao Mineirão antes da última
reforma. Desde muito cedo, meu pai me levou ao estádio. Tudo bem que o primeiro
jogo não foi lá essas coisas. Pelo menos, pelo que me recordo, uma derrota por
3 a 1 para o Corinthians, na estreia de Ramon Menezes pelo Cruzeiro. Acho que
era 1990. Mas ali, naquele estádio antigo, eram e são tantas as emoções e
títulos, que não seria uma estreia minha, ali, que faz alguma diferença. Vi
Ronaldo estrear no Mineirão, vi o mesmo Ronaldo se despedir. Vi o menino de 17
anos fazer cinco no Bahia e vi Elivelton marcar o gol do título da
Libertadores. Vi Giovanni fazer o Mineirão explodir aos 45min do segundo tempo
e o Cruzeiro ser tri da Copa do Brasil num jogo histórico e arrepiante vi
Renato Gaúcho marcar outros cinco gols num mesmo jogo, inclusive, um deitado no
gramado.
Muitas emoções, regionais a internacionais. Vi brigas, vi
decepções, vi choros, de alegrias e tristezas. Vi um Cruzeiro gigante se tornar
estratosférico e vi pequenas estrelas virarem verdadeiras potências mundiais.
Vi pernas-de-pau envergarem a camisa do clube, vi Amaral vestir a camisa 10 de
Alex e Dirceu Lopes e Alberto Rodrigues dizer que ele não era digno daquilo. Vi
Muller, Marcelo Ramos, Eder, Dida, Nonato, Sorin. Vi Alex, Ari, Deivid. Vi
muito jogador bom também. E vi Gottardo levantar a taça da Libertadores, vi
Dida defender aquele chute do Julinho...
O Mineirão antigo dá saudade, pelo seu ar de interior e pela
sua história majestosa.
terça-feira, 22 de dezembro de 2020
Chega! Centenário é na B
O Cruzeiro desistiu de subir. Ponto. Não há matemática que ateste o time estar na elite no ano que vem. Bem no início do jogo, recuou depois de fazer 1-0. E viu o time da casa, ainda que desfalcado de sete atletas, crescer e virar um jogo. Um frango do goleiro e a ascensão adiada por um ano.
O Cruzeiro iniciou bem o jogo, ainda que mal escalado, com Thiago em campo. Era para ter começado com Pottker mais avançado com Caike e Airton abertos. Felipão não quis. Ainda assim, na sorte, saiu o 1-0, com Manoel, o mais lúcido em campo.
No segundo tempo, porém, o Cruzeiro se perdeu. Desde a primeira etapa, depois de fazer o gol, o time recuou, permitiu avanços dos donos da casa, mas que, por incompetência, não ameaçaram. Já na segunda etapa, o Cruzeiro conseguiu ser pior e, com modificações estranhas, permitiu a Ponte vencer a partida. Primeiro, num vacilo de marcação. No segundo, num frango descomunal de Lucas França. Depois disso, partiu para o desespero e pouco fez.
Ver Sassá em campo dá dó. Giovane, gordo, não pode se solução. E se o Moreno, sem para ser reserva do reserva serve, que ele peça para ir embora. Sinceramente, uma rodada favorável e o Cruzeiro chutou o acesso para o inferno. 2021 será na Série B e ponto final.
PONTE PRETA 2X1 CRUZEIRO
Ponte Preta
Ygor Vinhas; Apodi, Luizão, Ruan Renato e Guilherme Lazaroni; Barreto, Vinícius Zanocelo e Camilo (Bruno Reis); Moisés, Bruno Rodrigues (Yuri) e Matheus Peixoto (Wanderley). Técnico: Fábio Moreno
Cruzeiro
Lucas França; Cáceres, Manoel, Ramon e Matheus Pereira; Adriano, Jadsom Silva (Régis) e Filipe Machado (Giovanni); Airton (Arthur Caíke), William Pottker e Thiago (Sassá). Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Gols: Manoel, aos 8’1ºT; Luizão, aos 20’2ºT; Bruno Rodrigues, aos 25’2ºT
Cartões amarelos: Vinícius Zanocelo (Ponte Preta); Airton, Giovanni (Cruzeiro)
Motivo: 31ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro
Local: estádio Moisés Lucarelli, em Campinas-SP
Data e horário: 22 de dezembro de 2020 (terça-feira), às 21h30
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC/CBF)
Assistentes: Alex dos Santos e Helton Nunes (SC/CBF)
Por: João Vitor Viana
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
Cinco jogos derradeiros
Vai chegando a reta final da Série B do Brasileiro e, bem ou mal, o Cruzeiro sempre nos dá aquele fio de esperança. Combinado com uma série de bons resultados, o Maior de Minas reduziu para sete a distância para o G-4, afastando-se, por conseguinte, do Z-4. Aliás, quem está por ali parece querer não sair. Caso, por exemplo, do Paraná, que chegou a figurar entre os quatro primeiros, mas que caiu como uma jaca para a rabeira e de lá não deverá mais sair. Junto ao Oeste, Botafogo-SP e Náutico, o clube paranista, hoje, é o pior time da competição, com oito derrotas seguidas.
Já na parte de cima da tabela, que incluo o Cruzeiro, a disputa está acirrada. A aglomeração entre o terceiro e o 11º tem diminuído e uma sequência de bons resultados pode mudar, e muito, a atual situação dos clube. Vencedor no confronto contra o Vitória, o Cruzeiro chegou aos 38 pontos, sete a menos que o Sampaio Corrêa, hoje o quarto colocado. A distância para o G-4 era de nove pontos.
E como a reta final promete ser um teste para cardíacos, o Cruzeiro terá, nas próximas cinco rodadas, cinco adversários diretos. Dentro e fora de casa, a Raposa terá que pontuar e vencer a maioria. Com 12 vitórias, é um dos times cinco que mais venceu na competição, atrás somente de Chapecoense (16), América (15), Sampaio Correa e CSA (13). Contudo, a matemática celeste é simples: em cinco jogos precisa fazer, ao menos, 11 pontos. Ou seja: vencer três e empatar duas. Com 49 pontos, certamente a distância para o G-4 terá sido reduzida, possivelmente para cinco ou quatro pontos.
O maior problema do Cruzeiro tem sido a falta de regularidade, encontrada, talvez, tardiamente, com Luiz Felipe Scolari. Visitante indigesto, o Cruzeiro não tem aproveitado o "fator campo" e deixou escapar preciosos pontos no Mineirão. Diante do CSA, nesta terça-feira, o palco será outro: o Independência. Para cortar custos, foi definido que o estádio do América será o local onde o Cruzeiro mandará seus jogos até o final da Série B.
Próximos jogos:
CSA (C)
Avaí (F)
Ponte Preta (F)
Cuiabá (C)
Sampaio Correa (F)
Por: João Vitor Viana
Cruzeiro está na briga. Mas precisa vencer e continuar subindo
O Cruzeiro nos faz sonhar.
Em ano atípico, quase perdido pelas inúmeras burradas de contratações/demissões de jorgadores, treinadores e dirigentes, o Cruzeiro, finalmente, nos faz sonhar.
Vence quando não esperamos tanto.
É compacto quando se espera que não seja.
Mas, o problema, é que quando a gente espera que ele vai, ele fica.
E aí vem aquele sentimento de frustração.
Por mais que não esteja jogando bonito, os pontos estão vindo.
Felipão pegou o time com 13 pontos.
Já estamos com 38, numa escalada matemática maluca, que poucos acreditavam.
E aí vem o sonho de, em 2021, ano do centenário, a gente possa estar entre os melhores.
Duas vagas já foram definidas.
A não ser que aconteça uma tragédia, Chapecoense e América estarão na elite do futebol em 2021.
E, hoje, a meta é tirar dali ou Juventude ou o Sampaio Correa.
Temos que ir para cima.
Para o jogo contra o CSA, Potkker e Stênio serão opções ao treinador e Jadsom também volta de suspensão.
Time mais coeso, mais tarimbado, com mais opções, inclusive no banco.
Hora de vencer mais uma e sonhar.
Ainda dá.
Por: João Vitor Viana
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Remédio ou placebo?
Entra ano, sai ano, e o tal do Queiroz continua prestigiado.
Não tem quem consiga explicar, de fato, a razão de tanta influência dentro da Toca da Raposa. Nem com toda a revolta da torcida, nada parece abalar os dirigentes que defendem Benecy Queiroz, mais do que a perda de seis pontos na Fifa.
O último a rezar a cartilha foi Sérgio Santos Rodrigues, alçado a presidente, pregando transparência e uma gestão "apaixonadamente profissional". Quando foi indagado sobre o inchado departamento de futebol e a função de Queiroz no começo de setembro, Sérgio fez uma defesa eloquente do dirigente. Entre os elogios, chamou Benecy de referência, que na CBF/ FMF ele é adorado por todos, que seu trabalho em supervisão e logística são enaltecidos nas entidades.
Porém, toda essa capacidade não foi levada em conta no organograma de futebol do clube, apresentado um mês depois, quando Queiroz foi "deslocado" do futebol para ser caseiro...digo, administrador da Toca II. Para uma gestão que preza pelo profissionalismo, abrir mão de uma referência do setor, soa como algo, pelo menos, controverso.
Ontem, mediante as graves críticas do deputado e ex-dirigente, Leo Portela, sobre um suposto esquema de desvio de material esportivo do clube, que indica Queiroz como o cabeça, fica praticamente impossível não questionar o prestígio que Benecy ainda nutre dentro do Cruzeiro. E aí, Sérgio "Gel" Santos Rodrigues?
Tenho muitas ressalvas ao deputado, mas lembramos que o mesmo também é advogado. Por isso, acredito que não faria acusações tão sérias senão tivesse provas ou indícios muito fortes sobre o caso. A questão é saber quais serão os desdobramentos da gestão transparente e apaixonadamente profissional sobre a situação. Acredito que todo mundo tenha direito a ampla defesa, como está assegurado na nossa Constituição, mas se Queiroz não for, no mínimo, afastado do clube até que tudo seja investigado e sua culpa ou inocência decretadas pela justiça, será a desmoralização total da atual diretoria do Cruzeiro.
Se levarmos em conta as atuais atitudes do presidente, Queiroz provavelmente, sairá ileso de mais uma de suas presepadas. A impressão que me passa é que, ou Sergio tem medo de botar o dedo nas feridas do clube para não "melindrar pessoas cujo o apoio é importante" ou ele faz parte dos conchavos da velha política, que derrubou o único gigante de Minas.
Sérgio precisa se decidir logo: se é remédio para o clube ou Placebo. Até agora, o Cruzeiro continua doente.
Por: Marcello Zalivi



