quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Cruzeiro quer valor mínimo por sede campestre




O Cruzeiro tem um valor mínimo pela sede campestre, da rua das Canárias: cerca de R$ 13,6 milhões. No entanto, as propostas que chegaram até aqui são bem abaixo do valor de mercado. Uma área de 9.500m2, sendo 6.500m2 construída e que é bem valorizada. No entanto, o momento atual, de pandemia, segundo especialistas é muito ruim para venda de imóveis, devido à baixa de poder de compra de vários investidores ou, até mesmo, desinteresse.

O clube tenta acertar a venda do imóvel para quitar algumas dívidas da Fifa e também pagar parcelamentos de outras.

Inicialmente, este é o único imóvel a ser posto à venda. O clube não tem, de imediato, intenção de abrir mão de outro, para quitação de dívidas. 

O presidente Sérgio Santos Rodrigues afirmou, ainda, que o clube pretende abrir mão da sede administrativa do clube, que seria alugada. No entanto, até ontem, o funcionamento da sede era normal, como foi observado, in loco, pelos jornalistas do site.

Por: João Vitor Viana

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Organizadas marcam novo protesto. Será sexta-feira!

 Algumas torcidas organizadas do Cruzeiro marcaram para a próxima sexta-feira, às 17h, na Sede Administrativa do clube, novo ato de protesto. As reivindicações foram listadas na convocação, divulgada nos perfis oficiais da Fanati-Cruz e da Máfia Azul.

O protesto acontecerá devido ao ano catastrófico do clube e a falta de proximidade da diretoria e seus torcedores, além de blindarem diretores incompetentes. Diferentemente do papo do início de 2020, tudo aconteceu de forma diversa e nenhuma explicação plausível veio à tona, muito pelo fato de o clube não ter um diretor de comunicação e um diretor de marketing competente, mais parecendo que o senhor Sérgio Rodrigues quem faz o trabalho.

“É inadmissível a postura do nosso ‘até então’ presidente do clube, além de omisso e sem pulso, desde a sua entrada só escutamos promessas em vão, mentiras atrás de mentiras, que vem comprometendo a montagem do elenco desde quando assumiu (sic)”, diz o chamamento.

“Nossas reivindicações são os desejos de todos: demissão Deivid (diretor-técnico) e Benecy (Queiroz, administrador da Toca II); planejamento competente no departamento de futebol para temporada 2021; expulsão dos 29 conselheiros e apuração dos demais envolvidos; voz ao povo”, complementa o grupo.

O protesto acontecerá horas antes do jogo entre Cruzeiro e Paraná, pela última rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O time comandado pelo auxiliar Célio Lúcio, que substitui Felipão interinamente,  entrará em campo às 21h30, no Durival de Britto, em Curitiba. A Raposa não tem mais chances de acesso ou risco de rebaixamento. Já o Paraná, coitado, está rebaixado, cagado em dívida e sem presidente.

No último dia 20, torcedores se manifestaram na porta do Independência, antes da partida do Cruzeiro contra o Operário-PR. Naquela oportunidade, as pautas do protesto foram muito parecidas. Faixas exigiam as saídas de Benecy e Deivid e chamavam o presidente Sérgio Santos Rodrigues de ‘mentiroso’.


Leia, na íntegra, a convocação para o ato desta sexta:


PROTESTO GERAL!


Convocamos os demais torcedores cruzeirenses a realizar um protesto geral na sede administrativa.


Nossas reivindicações são os desejos de todos:


- Demissão Deivid e Benecy.


- Planejamento competente no departamento de futebol para temporada 2021.


- Expulsão dos 29 Conselheiros e apuração dos demais envolvidos.


-Voz ao Povo


- Dissolução de todo Conselho.


É inadmissível a postura do nosso "até então" presidente do clube, além de omisso e sem pulso , desde a sua entrada só escutamos promessas em vão, mentiras atrás de mentiras, que vem comprometendo a montagem do elenco desde quando assumiu.


O "Sr. Jim Carrey" é um ser autoritário que quer a todo custo impor sua vaidade dentro do clube, e deixando o verdadeiro dono do clube o TORCEDOR de fora das decisões do clube.


Não podemos deixar que manchem mais a história do Cruzeiro !

Imóvel da Pampulha pode ser vendido


O Cruzeiro, em breve, poderá obter um alívio financeiro. Isso porque nesta quarta-feira,
obteve a substituição de bem penhorado e poderá negociar o imóvel situado em frente ao clube da Pampulha, na Rua das Canárias, bairro Santa Branca, em Belo Horizonte. Em contrapartida, foi oferecida à União Federal, em caso de eventual execução fiscal, o prédio da sede administrativa do Barro Preto. O juiz federal substituto João Miguel Coelho dos Anjos, da 26ª Vara Federal de Execução Fiscal de Minas Gerais, proferiu a decisão na última segunda-feira, 25 de janeiro. Aliás, nesta quarta-feira, o prédio funcionava normalmente. Há alguns dias o presidente do clube, Sérgio Santos Rodrigues, afirmou que o clube estava de mudanças para outras instalações, o que ainda não ocorreu e nunca foi explicado como tudo aconteceria.

“Dessa forma, considerando a existência de acordo entre as partes e que a União se manifestou favoravelmente ao pleito, autorizo, nos termos do art. 15, II, da Lei nº 6.830/80, a substituição da ordem de indisponibilidade que recaiu sobre o imóvel localizado na Rua das Canárias nº 269, Bairro Santa Branca, em Belo Horizonte/MG, com área total de 9500 m², representado nas matrículas nº 46.117, 46.118, 46.119 e 46.120 do Cartório do 6º Ofício de Registro de Imóveis de Belo Horizonte/MG, pela penhora do imóvel que compõe a sede administrativa da parte executada - matrícula nº 68.174 do Cartório do 7º Ofício de Registro de Imóveis de Belo Horizonte”. 

Com contas atrasadas, dentre elas, a maior, o pagamento de salários de atletas e dívidas com clubes, inclusive o PSTC, esta que impede o Cruzeiro de registrar novos atletas até o presente momento, o clube poderá, enfim, acertar muitas pendências, ainda que para isso tenha que vender o imóvel, o que, no momento, não é bom, devido à pandemia. Segundo especialistas, o mercado imobiliário está de compra, não de venda.

Por: João Vitor Viana

Cruzeiro vai precisar crescer

O Cruzeiro é um gigante.

Mas diante de profissionais, terá que crescer.

Para o Brasil inteiro, o clube é uma bagunça, não tem projeto e conta os dias para fechar as portas devido sua imensa dívida.

Aliás, diariamente, jornalistas mineiros e pelo Brasil fazem questão de ressaltar isso em matérias.

Um jornalista diz que Felipe Conceição não aceitaria proposta "nem do Flamengo", outro diz que "Lisca já descarta do Cruzeiro", ainda que não tenha falado, em nenhum momento, que não aceitaria treinar o Cruzeiro.

Mas todas as matérias são escritas com o intuito de dizer que o Cruzeiro deve muito e a dívida é de "X".

Por isso, o convencimento de profissionais terá que ser forte.

A "marca Cruzeiro" perdeu valor desde 2019.

A diretoria anterior destroçou um clube quase centenário e, a atual, pouco fez para melhorar isso.

Aliás, tem uma comunicação e um marketing bem ruim de serviço, sem direção e com profissionais que mais parecem alunos de quinta série a um jornalista formado.

Time com um sistema de sócio que não engrena, de um presidente que não fala a verdade e some e de diretores questionáveis.

Quem vier para o clube, precisa saber do que está ocorrendo e como as coisas vão acontecer.

Tudo tem que ser feito dentro de um orçamento e PRECISA SER HONRADO!

Iniciativas novas também precisam acontecer, principalmente voltada à base do clube.

A "marca Cruzeiro" é gigante, mas se apequenou junto aos gestos, fatos e momentos que sua diretoria foi o "ator principal".

Isso de 2010 para cá, sem poupar ninguém.

Numa avalanche de lixo, merda, mijo e dívidas, é preciso que isso seja limpo, ainda que demore.

Mas dentro de um planejamento, de uma coerência, de um passo para trás para que seja tomado impulso para um lugar melhor.

Isso sem vaidade, com conversa, com profissionalismo e sem ideologias ultrapassadas.

O Cruzeiro precisa crescer.

E isso vai depender de quem guia o barco, à deriva e que necessita de alguém que ponha as coisas nos seus devidos lugares.

Vamos ver o que será proposto a técnicos e atletas.

Hoje não há 12 jogadores que sirvam para vestir a camisa do clube.

Assim, precisaremos não apenas de um maestro para comandar a banda, como de músicos calejados, contratados em atacado para compor um elenco.

Lembrando que o clube, ainda, está com bloqueio de inscrição de novos atletas, já que tem uma dívida com o PSTC.


Por: João Vitor Viana

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Hora de um projeto!


A última rodada da Série B vai reservar somente emoções na parte de cima da tabela. América e Chapecoense lutam pelo título, que significa mais R$ 3 milhões na sua conta, já que o vencedor da Série B entra direto nas oitavas-de-final da Copa do Brasil; além da última vaga no G-4, disputada por Avaí, CSA e Juventude. A tendência é que o CSA ocupe aquela posição, pelos encontros de sexta-feira, última rodada da competição.

Na parte de baixo, já caíram os quatro: Oeste, Botafogo-SP, Paraná e Figueirense. Assim, o jogo entre Paraná e Cruzeiro é meramente protocolar. Inclusive poderia o auxiliar fixo, Célio Lúcio, já usar esse jogo como amistoso para testar esquema e atletas, deixando alguns, que não vão continuar de fora. É o caso, por exemplo, de Machado, atleta que interessa a alguns clubes e que já foi anunciado por seu procurador que não permanecerá. Atletas caros, como Moreno, Henrique e Leo, sequer deveriam figurar no banco. São jogadores que a diretoria vai precisar por em algum time, já que não há orçamento para suportá-los.

Bom, ao menos deveria ser. O Cruzeiro precisa de um projeto. Para 2020, falou-se de um "Novo Cruzeiro", que nunca existiu. Erros e mais erros e um ego que falou mais que a competência diretiva foi determinante para permanência do time da Série B. Um clube que se distanciou da torcida, de um presidente que iludiu jogadores e treinadores e que paga por isso hoje, haja vista a pressão que a torcida faz. 

O Cruzeiro, hoje, não tem uma comunicação eficiente, não tem um marketing decente e não consegue falar a língua do torcedor, que nada mais é que um mero consumidor. O presidente, infelizmente, acha que qualquer um faz comunicação. Hoje, a comunicação do Cruzeiro é uma assessoria pessoal do presidente, de extremo mal gosto e imensa "lambeção de saco". É inacreditável!

Se o Cruzeiro quer atrair não apenas o torcedor, mas treinador e jogadores que mudem a realidade de agora, é preciso ter pés no chão, humildade, aproximação com o torcedor e deixar alguns posicionamentos de lado, principalmente a blindagem de dirigentes, que nunca mostraram empatia e se escondem atrás de um escudo de Sérgio Rodrigues, numa covardia incrível.

João Vitor Viana

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Rodada maluca!

 As chances são mínimas, quase inexistentes. Mas os resultados dessa rodada parecem conspirar a favor. Parece que aquele quarta vaguinha de acesso está sem dono ou sem interessados. O Juventude e o CSA, que estavam mais ali com mais frequência, têm tropeçado constantemente. O Sampaio Corrêa, derrotado pelo Cruzeiro na rodada passada em seus domínios, voltou a perder e já pode ser ultrapassado pela própria Raposa. O Cruzeiro, que joga hoje a campo, contra o lanterna Oeste, se vencer, pode ficar a apenas cinco pontos do G-4. Isso faltando quatro rodadas para o final da competição. Ou vi um "haja coração"? Pois é.

Nas redes sociais, o torcedor tem dito: "O problema é que a gente precisa acreditar no Cruzeiro"; "O Cruzeiro não me dá sossego. Será que vai?"; "Cruzeiro, por que você fica me fazendo acreditar?". Por mais que o Cruzeiro seja irregular, caso vença, o clube não só chega ao nono lugar como diminui a distância para o grupo dos quatro melhores. 

O maior dos problemas, no entanto, parece ser interno. O clube parece não ter presidente e, nesta terça-feira, como protesto, os atletas não se concentraram para a partida, haja vista que estão com salários atrasados e não têm sido atendidos pela diretoria. A atitude contou com o aval do técnico Luiz Felipe Scolari. No entanto, os atletas prometeram compromisso com o clube nessa noite.

Resultados

Ponte 2 x 2 Cuiabá (bom)

CRB 2 x 0 Guarani (bom)

Confiança 1 x 2 Operário-PR (ruim)

Botafogo-SP 2 x 1 Sampaio (bom)

Paraná 2 x 0 CSA (bom)

Brasil-RS 2 x 1 Juventude (bom)

Náutico 0 x 0 América (bom)

Chape 2 x 1 Figueirense (bom)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O famoso 6-1 (6/6)

Como venho escrevendo nessa série, comecei a ir ao Mineirão em 1990. Vi jogos épicos, vi derrotas e vitórias do Cruzeiro. Vi vários títulos. Mas um jogo, especificamente, não quis estar presente. Não confiava naquele time de 2011, desmontado por completo do ano anterior e completamente remendado e sem dinheiro. Num jogo onde os dois melhores jogadores não estariam em campo: Fábio e Montillo estavam suspensos. E o jogo poderia decretar o inédito rebaixamento do Cruzeiro. Pela frente, o maior rival em Minas. De consolo, apenas que a torcida seria toda azul e branca.

Vi de casa. Já morava sozinho naquela altura e resolvi ver o jogo ajoelhado. Eu e minha tv. Nem meu cachorro, Enricco, eu tinha ainda naquele momento. Mais parecia um árabe rezando para Meca. O jogo estava rolando, mas eu mais ouvia que via. Tudo só melhorou quando vi Roger iniciar o massacre. O mais interessante é que nem depois dos 3-0 eu ainda estava convicto.

Mas quando ficou 5-0, aí sim, veio o alívio. 6-1 acabou sendo uma consequência que até hoje o torcedor do adversário afirma que foi comprado. Não admitem que brocharam. Talvez por terem festa no meio de semana, achando que seria fácil vencer. Mas viram jogadores em campo com espírito de campeão. Ao menos ali, naquele momento de 2011, viu-se um time jogar com muita vontade, orquestrado por Roger Flores, que comandou aquela vitória épica.

O complicado foi o depois do jogo. Eu havia prometido que para qualquer gol naquela partida, seja do Cruzeiro ou do rival, seria uma dose. E, pelo que me lembro, se o Bahia vencesse o jogo dele, o Cruzeiro já se salvava. Tomei mais duas doses para o Bahia e, depois, ainda fui para um bar comemorar a permanência na Série A. 10 doses. No outro dia, quem era eu?

Nova chance: Cruzeiro segue sua sina de buscar o equilíbrio. Chance de acesso é de 0,74%

 O Cruzeiro é uma espécie de "Potkker da Série B". Aquele que você aposta que vai engrenar mas, de uma hora para outra, chuta o balde de leite. A vaca burra da fazenda ou, ao menos, a improdutiva. Aquela que vive numa onda de um mundo paralelo e que, para por os pés no chão, custa. Ou custou. Desde que o clube se viu em apuros financeiros e se viu "rasgando dinheiro" sob comando de Adilson/Bolicenho e, depois, com Enderson/Ney/Drubsky/Deivid, o clube passou a mudar o discurso. Do "vamos cumprir os salários", "é nossa obrigação estar em dia" e "é nossa obrigação subir", deu lugar para "2021 a gente sobe no final do ano", "aprendemos com os erros", "precisamos de uma segurança maior". O que? Você não ouviu o "aprendemos com os erros", né? Pois é. Foi pegadinha. Eu também não ouvi.

E assim como o time não aprendeu com os erros que a instabilidade em campo é imensa. O time não tem um equilíbrio e quando mais se espera dele, que ele consiga uma sequência, a deficiência técnica, junto a um nervosismo, atrapalha, e o resultado não vem. Sinal disso é estar no meio da tabela, mesmo com uma folha salarial mais cara da Série B.

Com apenas um clube na B que também foi campeão Brasileiro, o Guarani, o time celeste dificilmente subirá. Chances remotas. Segundo estatísticas da UFMG, 0,74% apenas. Diante do Oeste, o lanterna, que venceu apenas uma das 16 partidas que fez fora, o Cruzeiro terá nova chance de emplacar duas vitórias seguidas, algo raro desde o ano passado. Que Fábio motive o time, como fez diante do Sampaio Corrêa; que o sal grosso seja jogado do Independência; que qualquer mandinga seja feita para o Cruzeiro chegar aos 47 pontos. Não porque acredito que o time vá subir. Acredito, aliás, que daqui uns meses estará diante do Botafogo, do Coritiba, do Remo, do Paysandu, do Goiás, do Bahia. Times muito mais fortes que esses que pegamos essa temporada. Até por isso, fala-se, nos bastidores, de enxugamento de folha, contratações pontuais de jogadores "cascudos" e rodagem e num time mais coeso, menos técnico, mas mais vibrante.

Contra o Oeste, nova chance de mostrar equilíbrio. Contra o Oeste, mais uma chance de alguns mostrarem valor. Manoel volta; Potkker e Giovanni, suspensos, estão fora. 

 

Por: João Vitor Viana

100 anos em seis partes: Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O Novo Mineirão (5/6)

 O palco celeste se fechou por anos.

O Cruzeiro teve que mandar seus jogos para longe.

Lembro de ter que ir para Sete Lagoas, naquele acanhado estádio, ver o time jogar Libertadores.

Muito chão e pouca história por aqueles lados.

Cruzeiro é de BH, do Mineirão.

Nem se os jogos fossem para o Independência teria o mesmo sentido.

Até que o Mineirão voltou.

Reabriu sobre outra égide.

Sobre uma administração que não era mais da Ademg.

E como foi difícil ver o jogo de reestreia do estádio.

Uma bagunça.

Problemas com ingressos aos torcedores, de credenciamento aos jornalistas.

Eu, que estava apto a cobrir o jogo, perdi o primeiro tempo por causa da burocracia de entrada.

Não vi o gol contra de Marcos Rocha naquele Atlético x Cruzeiro.

Não vi o gol do Atlético, que empatou a partida.

Mas consegui ver o gol de Dagoberto, que decidiu o jogo.

No campo, tudo bem.

Fora dele, parecia que havia passado um furacão.

Faltou até água.

Ainda bem que tempos depois se resolveu e hoje não há mais esse amadorismo.

Mas foi tenso.

Tempos que, graças a Deus, não voltam mais.

E uma história que só posso contar pelo segundo tempo, já que não vi o primeiro.

Ah, Minas Arena!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O jogo da minha vida (4/6)

 Poucas são as pessoas que têm a feliz alegria de estar numa final de campeonato. Seja regional, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores, Supercopa, Mundial, dentro de um nicho de milhões, você estar ali, no palco da decisão, é uma sensação incrível. Imagina para alguém com 17 anos, iniciando a vida e sendo movido por uma avalanche de cânticos e atmosfera incrível? Esse alguém era eu na final da Copa do Brasil de 2000.

O Cruzeiro foi tetra, pena, hexa depois. Havia sido campeão da Libertadores três anos antes. Mas a emoção que aquele jogo passou, não tenho dúvidas, foi a maior que já senti. Cruzeiro de André, Muller, Fábio Júnior, Sorin, Viveros, Oseas, Clebão, Ricardinho e ele, Giovanni, o predestinado. Giovanni, dois anos antes, havia sido emprestado ao América, onde não teve tanta chance e quase foi dispensado pelo Cruzeiro em 1999, com Levir Culpi. E aquele seria o jogo que marcaria a vida dele e de milhões de cruzeirenses.

Na antiga cadeira de setor do Mineirão, abaixo das arquibancadas e no nível do gramado, lembro do gol de Marcelinho Paraíba, que silenciou o Gigante da Pampulha, mas a torcida, apenas de forma momentânea. Vi e ouvi choros por perto, de quem estava acreditando mas, por algum motivo, começara a duvidar daqueles guerreiros que estavam em campo. Talvez, até pelo fato do técnico, Marco Aurélio, fazer sua despedida. Ainda que fosse um treinador de final, o Cruzeiro havia anunciado, antes do jogo, a chegada de Luiz Felipe Scolari. Ou seja, haveria troca no comando e os jogadores poderiam não se dedicar como a torcida esperava.

No entanto, as coisas começaram a mudar quando Ricardinho acionou Muller que, com um tapa, pôs Fábio Júnior frente a frente com Rogério Ceni. E ali o fuzil AR15 do matador azul furou a barreira do gol são-paulino. Tudo empatado aos 34min de jogo e uma esperança ressurgiu. O empate ainda daria o título, naquela época, ao São Paulo, por ter feito gol na casa do adversário. O primeiro jogo havia terminado em 0 a 0.

O tempo foi passando e o torcedor voltou a ficar apreensivo. Clebão, aos 41min, deu um bico e a bola foi parar nas mãos de Rogério. A sensação de tristeza e apreensão voltara. Não apenas naquelas pessoas que haviam começado a chorar quando o gol do adversário saiu, mas de todos no Mineirão. Jovens, adultos e idosos roíam as unhas e torcidam pelo lance que decidiria a partida.

E o lance veio aos 44min, quando a bola, curiosamente, estava com o São Paulo, que trocava passes no meio e o Cruzeiro estava recusado. Levir Culpi, aquele mesmo, que quase mandou Giovanni embora no ano anterior, havia tirado todos seus atacantes e recuado o time. Pôs um tal Axel em campo, jogador rodado, experiente, com a função de marcar e parar o jogo. E foi justamente Axel que errou um passe no meio-campo, recuando a bola de forma equivocada para Rogério Pinheiro, que perdeu na corrida para o menino Giovanni. O zagueiro não teve outra alternativa que não parar o atacante celeste com falta e levar o cartão vermelho.

O lance estava ali. Poucos metros da grande área. Mas o tempo estava correndo e era mais um adversário contra. O São Paulo não respeitava a distância da barreira de 9,15m, ficando ali, entre 7,7m e 7,9m, como se pode ver, hoje, no Youtube. Quem batia faltas no Cruzeiro era Ricardinho, que estava ali, próximo de Giovanni. Contudo, o atacante de 20 anos naquele momento, pediu a bola. Muller, aos berros, falava para ele bater forte. Enquanto isso, Alberto Rodrigues dizia: “Muller o aconselha”; Luciano do Valle falava: “Muller fala para Giovanni bater com fé”; “Cleber Machado ecoava um “Muller está bravo”. A torcida estava tensa e esperava, do jovem, o gol do título. E num chute, de falta, que mais parecia um pênalti, diria Albertinho, Giovanni estufou as redes de Rogério. Poucos se lembram que o volante Donizete Oliveira, na hora da cobrança, deu um tranco na barreira, que abriu. A bola passou debaixo das pernas do volante Axel, aquele mesmo que Levir havia optado por entrar e esfriar o jogo e que errou no passe que originou a falta.

O mundo deu voltas para Levir. O seu time acabou sendo derrotado com o gol do atacante que ele não soube aproveitar um ano antes, por erro de um jogador que ele acreditou que venceria aquela final para “fechar o meio”. Mas aí vocês vão perguntar: “Mas e aquele lance que teve logo em seguida, quando Clebão salvou em cima da linha?”. Sim, teve, sim, esse lance. Marcelinho Paraíba, novamente, quase marcou. Numa defesa monumental, André salvou o Cruzeiro e Cléber, antes que Raí chegasse, deu um bico para longe”.

E aí? Realmente não foi o jogo mais emocionante? Logicamente aquele jogo traz várias outras perguntas. Por exemplo: o que Marco Aurélio queria orientar o time logo após o gol de Giovanni? Algo que nunca entendi. E onde está a menina de óculos, que pulou tanto após aquele gol e que virou lembrança junto ao gol? Até hoje, vendo e revendo esse jogo, é possível se emocionar. E como é bom lembrar que estar presente a essa partida histórica é algo que ficou marcado eternamente na memória.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. As histórias por trás das câmeras (3/6)

 Estar no campo, como jornalista, cobrindo um jogo do Cruzeiro, é sensacional. É a mistura da “fome com a vontade de comer”. É poder, como profissional, buscar ser o melhor ali presente e, como torcedor, poder ver os ídolos de perto, não se deixando, no entanto, envolver-se em emoção além daquilo que o trabalho exige.

Contudo, em 2017 saí da linha. Sai sim e admito! Ali, na área de imprensa do Mineirão, em dois jogos, deixei de lado o lado profissional. Jogos tensos na Copa do Brasil e decisões nos pênaltis. E quem sabe bem, a área da imprensa é bem ao lado de onde fica a torcida do time visitante. Ah, eu não estava aguentando as provocações dos gremistas, nas semifinais. E olha que tenho um carinho especial pelo Grêmio, por histórias particulares. Mas em campo, a batalha era tipo “A Batalha dos Aflitos”. Contudo, quem estava aflito era o torcedor, que teve em Fábio, o ídolo daquele momento.

Como foi bom explodir com a classificação para a final, onde pegaríamos o Flamengo. E sim, o torcedor do Grêmio ouviu! Não só eu, mas vários jornalistas vibraram junto com a torcida com a classificação para a final. As provocações dos gremistas foram rebatidas à altura, ainda que talvez 10% menos que seria se estivesse vestindo a indumentária celeste nas cadeiras do Mineirão. Os gremistas, talvez, não tenham ouvido o suficiente, que soltamos na final, na conquista diante do Flamengo, naquele jogo que o goleiro do adversário teve cara de pau de pedir dois toques de Thiago Neves na cobrança final. Tentando, na malandragem, anular o gol do título do Cruzeiro, a torcida do Flamengo também ouviu. E quem me conhece, sabe. Não gosto de injustiça, embora no futebol, isso seja um tanto quanto relativo. Mas quem quer ganhar na molecagem, para mim, precisa ser bem repreendido. E o grito de campeão ecoou, inclusive da área da imprensa.

É recomendado que a gente não se manifeste. Mas só quem está ali, naquela tensão da final, ouvindo provocação calado para imaginar como estava aquela atmosfera. Ah! Se ouve alguma contensão de emoção diante do Grêmio, contra o Flamengo, a noite estava só começando. A cidade ficou pequena, as entrevistas foram ótimas e o coração bateu bem, mas bem forte por sermos, ali, penta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

100 anos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O desfile de craques (2/6)

 100 anos é tempo suficiente para um clube ter nomes marcados. O Cruzeiro, um gigante não de Minas, mas do mundo, não é diferente. Craques passaram pela Toca da Raposa e diversas são as histórias deles dentro e fora de campo. Tostão, Dirceu Lopes, Palhinha, Evaldo, Piazza, Raul, Nelinho e tantos outros abrilhantaram um tempo de estrelas que bateu de frente com o Santos, de Pelé. E a Taça Brasil de 66 mostrou que o melhor time do Brasil, naquele momento, não era do badalado “Melhor de Todos os Tempos”.

E como não lembrar de outros tempos áureos? Esquecer, por exemplo, a técnica de Raimundo Nonato, a marcação precisa de Ademir, o passe refinado de Douglas, o pensamento rápido de Luis Fernando Flores? Que time era aquele de 91/92, que iniciava com Paulo César Borges e fechava com Roberto Gaúcho? E o “Boi, Boi, Boi, Boi, Boiadeiro, vê se faz um gol para a torcida do Cruzeiro?”. Época de um time coeso, liderado por grandes técnicos como Ênio Andrade, Carlos Alberto Silva, Jair Pereira...No passado, com Zezé Moreira, Ilton Chaves, Niginho... 100 anos que craques envergaram e honraram o manto sagrado. Um manto que foi vestido, posteriormente, por craques mais atuais como Dida, Alex, Aristizábal, Maldonado, Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e outros, que ainda estão por vir, terão essa honra.

O Cruzeiro tem, na sua cerne, a produção de jogadores, a projeção de outros e a construção de uma história, de títulos e de glórias. E assim será pelos próximos 100 anos! É o desejo da torcida, que não se esquece do que já viveu e espera reviver novamente. Afinal, recordar é viver e tantos foram os craques, que acabaram com vocês, rivais!

100 jogos em seis partes. Momentos históricos vividos por um torcedor e jornalista. O Mineirão antigo (1/6)

Você tem quantos anos? Foi ao Mineirão antes de 2012? Sabe o que é saborear um feijão tropeiro na chapa sem o mimimi de hoje? Sabe o que é fazer isso, envolto em árvores, num ambiente mais torcida e menos gourmet? Assim era a parte de fora do estádio, onde torcedores se aglomeravam mas, principalmente, se confraternizavam antes e após os jogos. Obviamente havia episódios onde a cavalaria chegava, brigas ocasionais de torcedores do mesmo time ou com torcedores rivais, mas era um outro ambiente.

Mais escuro, mais ermo, pessoas que mijavam nas árvores? Sim, mas que dá saudade. Talvez por ter ido muito ao Mineirão antes da última reforma. Desde muito cedo, meu pai me levou ao estádio. Tudo bem que o primeiro jogo não foi lá essas coisas. Pelo menos, pelo que me recordo, uma derrota por 3 a 1 para o Corinthians, na estreia de Ramon Menezes pelo Cruzeiro. Acho que era 1990. Mas ali, naquele estádio antigo, eram e são tantas as emoções e títulos, que não seria uma estreia minha, ali, que faz alguma diferença. Vi Ronaldo estrear no Mineirão, vi o mesmo Ronaldo se despedir. Vi o menino de 17 anos fazer cinco no Bahia e vi Elivelton marcar o gol do título da Libertadores. Vi Giovanni fazer o Mineirão explodir aos 45min do segundo tempo e o Cruzeiro ser tri da Copa do Brasil num jogo histórico e arrepiante vi Renato Gaúcho marcar outros cinco gols num mesmo jogo, inclusive, um deitado no gramado.

Muitas emoções, regionais a internacionais. Vi brigas, vi decepções, vi choros, de alegrias e tristezas. Vi um Cruzeiro gigante se tornar estratosférico e vi pequenas estrelas virarem verdadeiras potências mundiais. Vi pernas-de-pau envergarem a camisa do clube, vi Amaral vestir a camisa 10 de Alex e Dirceu Lopes e Alberto Rodrigues dizer que ele não era digno daquilo. Vi Muller, Marcelo Ramos, Eder, Dida, Nonato, Sorin. Vi Alex, Ari, Deivid. Vi muito jogador bom também. E vi Gottardo levantar a taça da Libertadores, vi Dida defender aquele chute do Julinho...

O Mineirão antigo dá saudade, pelo seu ar de interior e pela sua história majestosa.